Preços e orçamentos

Como separar material e mão de obra na proposta

Mostre em linhas separadas o trabalho e o material, diga quem compra, transporta e fica com a sobra, e combine o que fazer se a quantidade mudar.

Equipe editorial Busque Já · Publicado em · Atualizado em

Resumo

  • Escolha um dos três arranjos de material e escreva qual vale para este serviço.
  • Cobre a ida à loja como trabalho quando a compra ficar por sua conta.
  • Combine por escrito quem aprova a compra extra quando faltar material.
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Por que separar material e mão de obra na proposta

Separe porque são coisas diferentes: a mão de obra é seu tempo e sua habilidade; o material muda de preço, de quantidade e até de quem compra. Na proposta, use uma linha para o serviço, outra para o material e uma terceira dizendo quem compra, quem leva e quem fica com a sobra.

Quando tudo vem num número só, três problemas aparecem. O cliente acha que o seu trabalho ficou caro, quando quem encareceu foi a tinta, o tecido ou a peça. Você perde margem se o material subir entre o orçamento e a compra, porque não tem como mostrar o que mudou. E, se o cliente resolver comprar o material por conta própria, vai querer descontar um valor que ele imagina, não o que você de fato tinha colocado.

Com as linhas separadas, cada mudança tem endereço. Se a quantidade aumentar, você ajusta a linha do material. Se o cliente pedir um acabamento a mais, ajusta a do serviço. Ninguém precisa rediscutir o total inteiro.

Três arranjos de material e quando usar cada um

Quase todo serviço cai em um destes arranjos. Escolha um por pedido e diga qual é.

  1. O cliente compra. Você manda a lista e ele traz ou recebe o material no local. Serve quando o cliente quer escolher marca e cor, ou já tem parte do material em casa. O risco é ele comprar diferente do que foi pedido.
  2. Você compra e repassa. O material entra pelo valor que você pagou, com o comprovante da loja, e a mão de obra vem à parte. Serve quando você conhece o produto certo e o cliente quer transparência. O trabalho de comprar precisa ser cobrado, como você verá abaixo.
  3. Você compra e inclui no preço. O cliente recebe um valor fechado, com material e serviço. Serve para trabalhos que você repete muito e cujo material conhece bem. O risco de o preço do material subir fica com você, por isso a validade da proposta precisa ser curta.

Um critério rápido para escolher: se o cliente tem opinião forte sobre o material, use o primeiro; se ele confia na sua escolha mas quer ver o gasto, o segundo; se ele quer só um número e o serviço é rotina para você, o terceiro.

Não existe arranjo certo para todos os casos. Existe o arranjo combinado e escrito, e o arranjo presumido, que é o que acaba em discussão.

Ir à loja também é trabalho

Quem compra o material gasta tempo para escolher, conferir, transportar e, às vezes, trocar o item que veio errado. Esse tempo sai da sua agenda como qualquer outra hora de serviço. Se a compra fica com você, ela precisa aparecer em algum lugar: uma linha de "compra e transporte de material" ou horas somadas à mão de obra.

O mesmo vale para o material de consumo, aquele que some no meio do serviço sem que o cliente perceba: lixa, fita, disco de corte, broca, linha, agulha, produto de limpeza, saco de lixo. Decida se ele entra no valor do serviço ou na lista, e diga isso.

Outro custo escondido é o do dinheiro que você adianta. Se a compra for grande, peça que o cliente pague o material antes ou combine um sinal que cubra a compra; caso contrário, você financia o serviço do cliente com o próprio bolso até o dia do pagamento. Na limpeza, o combinado sobre produtos tem tantos detalhes que vale ler como combinar quem fornece produtos de limpeza.

Para somar material, horas e deslocamento num mesmo cálculo, a calculadora de reformas e as outras calculadoras setoriais do site separam essas parcelas. E, para enxergar todos os gastos de um pedido antes de dizer sim, veja como estimar custos antes de aceitar um pedido.

Uma lista que o cliente consegue comprar certo

Quando o cliente compra, a qualidade da lista define se o serviço começa no horário. Uma boa lista traz, para cada item, o nome usado na loja, a medida, a quantidade, a cor ou o código quando houver, e uma observação sobre o que pode ser substituído.

Modelo para adaptar
Lista de material para o serviço de [data]:
1. [Item] – [medida] – [quantidade] – cor ou código [se houver]
2. [Item] – [medida] – [quantidade] – pode ser de outra marca, desde que [característica]
Já considerei uma pequena sobra para perdas e recortes.
Antes de pagar, se puder, me mande uma foto da embalagem para eu conferir.

A foto da embalagem antes do pagamento parece detalhe e evita a cena mais comum desse arranjo: você chega, abre a caixa e descobre que a peça não serve.

Quando falta ou sobra material no meio do serviço

Quantidade é estimativa, e às vezes ela erra para mais ou para menos. Deixe acertado, antes de começar, o que acontece nesses casos.

Se faltar, você para, avisa, mostra o motivo e espera a aprovação para comprar o adicional. Uma mensagem curta com foto basta: "Faltou [item] para terminar [parte]. Preciso de mais [quantidade]. Posso comprar e incluir no valor do material?". Comprar sem avisar e cobrar depois coloca o cliente diante de um fato consumado, e é aí que a confiança se perde. Uma pequena reserva para perdas já na lista inicial reduz essas idas extras à loja, desde que o cliente saiba que ela existe e por quê.

Se sobrar, diga de quem é. Se o cliente pagou, a sobra é dele, e vale entregá-la identificada. Se o material estava incluído no preço fechado, a sobra pode ficar com você, desde que isso esteja na proposta. Os detalhes sobre mudança de escopo estão em como lidar com pedido que muda durante o serviço.

Como o trecho fica escrito na proposta

Um exemplo de bloco, com campos para trocar:

Modelo para adaptar
Mão de obra: [descrição do serviço] – [valor]
Material: [incluso conforme lista / comprado pelo cliente conforme lista / comprado por mim e repassado pelo valor do comprovante]
Compra e transporte do material: [incluso na mão de obra / valor à parte]
Material de consumo: [incluso / na lista]
Se a quantidade mudar: aviso antes de comprar e só sigo com sua aprovação
Sobras: [ficam com o cliente / ficam comigo]

Esse bloco cabe numa mensagem de celular e responde de antemão as perguntas que, sem ele, apareceriam no dia do pagamento.

Ele também ajuda quando o cliente quer comparar a sua mão de obra com a de outro profissional. Com o material à parte, a comparação fica justa, porque ninguém mistura o preço da tinta com o preço do trabalho.

Perguntas frequentes

Posso cobrar pela ida à loja para comprar material?

Pode, desde que avise antes. O tempo de escolher, conferir e transportar sai da sua agenda como qualquer hora de serviço. Você pode incluir esse tempo na mão de obra ou mostrar uma linha própria na proposta. O que não funciona é cobrar depois, sem ter avisado, porque o cliente vai entender como um acréscimo surpresa.

Quem fica com a sobra de material depois do serviço?

Depende de quem pagou e do que foi combinado. Se o cliente comprou ou pagou pelo material repassado, a sobra é dele e deve ser entregue identificada. Se o material estava embutido em um preço fechado, a sobra pode ficar com você, mas isso precisa estar escrito na proposta para não virar desconfiança no fim do trabalho.

O que fazer se o cliente comprou o material errado?

Mostre a diferença com calma e com foto, sem culpar ninguém, e proponha as saídas: trocar na loja, adaptar o serviço se for seguro e não prejudicar o resultado, ou remarcar. Se você perder a viagem ou o período reservado, a regra para esse caso deveria estar na proposta; se não estava, inclua nas próximas.

Devo mostrar a nota da loja quando repasso o material?

Quando o arranjo é repassar pelo valor pago, mostrar o comprovante é o que dá sentido ao arranjo: o cliente vê que não há acréscimo escondido no material e que o seu ganho está na mão de obra. Guarde uma cópia junto com as anotações do serviço, porque ela também ajuda a calcular os próximos orçamentos.

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