Preços e orçamentos

Como considerar o deslocamento no orçamento

Some o custo do veículo na ida e na volta ao tempo de estrada que você deixa de trabalhar e diga na proposta se o deslocamento está incluso ou à parte.

Equipe editorial Busque Já · Publicado em · Atualizado em

Resumo

  • Calcule sempre ida e volta, incluindo o trecho até a loja de material.
  • Trate as horas de estrada como horas de trabalho que você não pode vender.
  • Organize suas cidades em faixas para não refazer a conta a cada pedido.
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Deslocamento no orçamento: as duas contas que entram

Considere o deslocamento em duas partes: o custo do veículo, que inclui combustível, pedágio, estacionamento e desgaste, e o tempo de estrada, que ocupa horas da sua agenda. Some as duas, sempre contando ida e volta, e diga na proposta se esse valor está embutido no serviço ou aparece como linha separada.

O erro mais frequente é olhar só para a primeira conta. Quem calcula apenas o combustível da ida trabalha de graça na volta e não cobra as horas em que esteve dirigindo. Num atendimento perto de casa, a diferença é pequena. Em cidades vizinhas e na zona rural, ela pode consumir boa parte do que o serviço paga.

Como calcular o custo do veículo sem chutar

Para o combustível, use a calculadora de combustível: ela pede a distância, o consumo do seu veículo e o preço que você paga no posto. Use o consumo que você mede no dia a dia, com o carro carregado de ferramentas, e não um número de memória.

Depois, acrescente o que a calculadora não sabe: pedágios no caminho, estacionamento pago perto do cliente e uma reserva para desgaste. Desgaste é pneu, óleo, revisão e manutenção que você só paga porque roda para trabalhar. Para estimar, some o que gastou com o veículo nos últimos meses e divida pelos quilômetros rodados no mesmo período; o resultado é um custo por quilômetro que vale para qualquer viagem.

Não esqueça os trechos que ficam fora do caminho óbvio. Uma conta com distâncias inventadas, só para mostrar a lógica: o cliente está a 35 km da sua base, então ida e volta somam 70 km. Se você precisa passar numa loja de material que fica 6 km fora da rota, são mais 12 km. A viagem real tem 82 km, e é esse número que entra na conta.

Hora de estrada também é hora de trabalho

Enquanto dirige, você não está atendendo outro cliente. Por isso o tempo de deslocamento precisa entrar no preço, ainda que por um valor diferente da sua hora de serviço.

Pense no seu dia. Se perto de casa você consegue fazer dois atendimentos numa manhã e, para ir a outra cidade, só cabe um, a viagem custou um atendimento inteiro. Essa é a conta que quase todo mundo esquece.

Há duas formas de colocar isso no preço. Uma é definir um valor para a hora de estrada, menor que a hora de serviço, e multiplicar pelo tempo de ida e volta. Outra é estabelecer um valor mínimo para atendimentos fora da cidade-base, que cubra o período que a viagem ocupa. As duas funcionam; o importante é que a hora de estrada não fique valendo zero.

Considere também as condições do caminho: trânsito na entrada da cidade, trecho de terra que fica lento com chuva, obra na rodovia, horário de pico. Em vez de usar o tempo do aplicativo de mapas no melhor cenário, use o tempo que você já levou em viagens parecidas. A ferramenta de rotina ajuda a reunir deslocamento e tempo de atendimento num mesmo planejamento.

Faixas de atendimento em vez de conta nova a cada pedido

Refazer o cálculo a cada mensagem cansa e gera preços incoerentes entre clientes da mesma região. Uma saída prática é organizar os lugares que você atende em faixas:

  • Faixa 1: sua cidade-base, com o deslocamento já embutido no preço do serviço.
  • Faixa 2: cidades vizinhas, com uma taxa de deslocamento fixa por região.
  • Faixa 3: cidades mais distantes e zona rural, com taxa calculada caso a caso e, se fizer sentido, um valor mínimo de serviço que justifique a viagem.

As faixas não precisam ser divulgadas com valores, mas precisam existir para você. Elas também ajudam a decidir até onde vale ir, assunto tratado em como definir as cidades onde você atende.

Revise as faixas quando o preço do combustível mudar bastante ou quando você trocar de veículo. Uma taxa calculada com o carro antigo pode ficar defasada sem que você perceba, e a diferença sai do seu ganho em cada viagem.

Incluso ou separado: como mostrar ao cliente

As duas formas funcionam, desde que o cliente saiba qual está valendo.

Deslocamento incluso deixa a proposta mais simples e funciona bem na cidade-base. Deslocamento separado é mais transparente quando a distância pesa: o cliente entende por que o mesmo serviço custa diferente para quem mora longe e não acha que você cobrou mais pelo trabalho em si.

Modelo para adaptar
O valor do serviço é [valor]. Como o atendimento é em [cidade], há também a taxa de deslocamento de [valor], que cobre ida e volta. Se surgir outro atendimento na mesma região no mesmo dia, consigo dividir essa taxa e te aviso.

A última frase é opcional, mas costuma ser bem recebida, e não promete nada que você não possa cumprir.

Situações que multiplicam o deslocamento

Algumas viagens não aparecem no primeiro cálculo. Deixe na proposta quantas idas ao local estão incluídas e o que acontece se for preciso voltar.

  • Visita de avaliação antes do orçamento: decida se é cobrada e se o valor é abatido caso o serviço seja fechado.
  • Serviço em etapas, com secagem, cura ou prova entre uma visita e outra.
  • Falta de material no meio do serviço, que obriga a ir à loja e voltar.
  • Cliente ausente no horário marcado, com a viagem perdida.
  • Peça que você não tem no carro e precisa ser encomendada, com uma segunda ida só para instalar.

Escrever "o valor inclui [número] visitas ao local; visitas adicionais serão combinadas antes" resolve a maior parte desses casos. A preparação da viagem em si, com o que confirmar antes de sair, está em como planejar um atendimento em outra cidade.

Quando o cliente estranha a taxa de deslocamento

Alguns clientes nunca pagaram deslocamento separado e estranham a linha na proposta. Explique sem se justificar demais, ligando a taxa ao que ela cobre:

Modelo para adaptar
A taxa cobre a ida e a volta até [cidade], cerca de [tempo] de estrada no total. Prefiro mostrar separado para você ver que o valor do serviço é o mesmo que cobro em [cidade-base].

Se o cliente achar alto, há alternativas honestas: esperar um dia em que você já estará na região, juntar outros serviços na mesma visita ou procurar um profissional mais próximo. Reduzir a taxa sem mudar nada só transfere o custo da viagem para o seu bolso.

Perguntas frequentes

Posso cobrar deslocamento mesmo se o cliente não fechar o serviço?

Pode, se isso foi combinado antes da visita. Uma visita de avaliação gasta combustível e horas como qualquer atendimento. Informe por escrito se ela é cobrada, quanto custa e se o valor será abatido caso o serviço seja contratado. O que não funciona é anunciar a cobrança depois de chegar, quando o cliente entendeu que a visita fazia parte do orçamento gratuito.

É melhor cobrar deslocamento por quilômetro ou por região?

Por região costuma ser mais fácil de explicar e de aplicar no dia a dia, porque o cliente sabe de antemão quanto vai pagar. O cálculo por quilômetro é mais preciso e serve para destinos fora do comum, como áreas rurais ou cidades distantes. Dá para combinar os dois: região para os lugares frequentes e conta caso a caso para o resto.

Como dividir o deslocamento quando faço dois atendimentos na mesma viagem?

Divida o custo total da viagem entre os clientes atendidos, de forma proporcional à distância ou em partes iguais, e só ofereça a divisão quando os dois atendimentos estiverem confirmados. Avisar o cliente de que a taxa ficou menor porque você aproveitou a rota é uma boa notícia que reforça a transparência, sem criar a expectativa de que sempre será assim.

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